Pagiwuguwo: tornemo-nos corpos!A formação corpórea no rito funeral Boe

Alice de Carvalho Lino Lecci       
Universidade Federal de Rondonópolis
alice.lino@yahoo.com.br
https://orcid.org/0000-0002-1917-2211


 
RESUMO

 

Premissas para uma estética indígena Boe

Segundo Herbert Marcuse, “estética” denota na sua concepção originária a relação “entre prazer, sensualidade, beleza, verdade, arte e liberdade” (Marcuse, 1978, p. 156), de modo que nessa experiência preserva-se “a verdade
dos sentidos”, dada a harmonia obtida, “na realidade da liberdade”, entre a “sensualidade e intelecto, prazer e razão” (Marcuse, 1978, p. 156).

A experiência estética se ambienta no campo dos sentidos, é fundamentalmente intuitiva, subjetiva e logo receptiva, contudo, a imaginação ao estabelecer um livre jogo com a faculdade do entendimento, mostra-se produtiva ao criar a beleza.

Em termos kantianos, no ajuizamento estético do belo, a harmonia entre essas faculdades mencionadas tanto precede o sentimento de prazer quanto é o fundamento para o mesmo. No caso, a imaginação possibilita a multiplicidade da intuição, enquanto o entendimento determina a coesão de tais representações.

Desse modo, tem-se erigido um conhecimento em geral mediado pela percepção sensível de um objeto ou da representação do mesmo, para o qual será requerido “a comunicabilidade universal subjetiva” (Kant, 2005, p. 62). Em outros termos, trata-se da constatação “de que esta relação subjetiva, conveniente ao conhecimento em geral, tem de valer também para todos [...]” (Kant, 2005, p. 62).

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